sexta-feira, 22 de julho de 2011

Desembolso para safra 2010/11 é recorde



O aumento da demanda por commodities no mercado externo, especialmente em países asiáticos como a China e a Índia, fez o governo bater seu recorde no financiamento da agricultura e pecuária na safra de 2010/11. Foram aplicados R$ 94,2 bilhões de R$ 100 bilhões disponíveis, maior valor desde o início da contagem, na safra 1999/2000.
Na avaliação do Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, o resultado positivo ocorreu, também, devido à queda do custo de produção e ao aumento da área de plantio. "A economia está aquecida, os preços dos alimentos estão acima da média e o agronegócio vem em ritmo crescente", disse Vaz.
As linhas de financiamento para os médios produtores, como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-agro), tiveram os melhores desempenhos dos últimos anos. O Pronamp disponibilizou R$ 5 bilhões no ano passado e o Procap-agro, R$ 2,5 bilhões.
O Pronamp foi criado na safra 2010/11 para disponibilizar recursos de custeio, comercialização e investimento para a classe média rural. A renda bruta anual necessária para que o produtor tenha acesso ao crédito subirá de R$ 500 mil para R$ 700 mil a partir da safra 2011/2012.
O Procap-agro destina os recursos para recuperação e reestruturação patrimonial das cooperativas de produção agropecuária, pesqueira e aquícola. O valor investido foi 258% maior que na safra passada.
O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), criado na safra passada, incentiva o uso de processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases de efeito estufa no campo. Em seu primeiro ano de existência, foram feitas 30 operações, sendo 16 delas no mês passado, totalizando R$ 5,9 milhões.
O secretário José Carlos Vaz acredita que esse número será maior já na safra que se iniciou em julho. "A expectativa é utilizar boa parte dos recursos destinados ao programa, que somam R$ 3,15 bilhões", afirma. Para a safra 2011/12 serão disponibilizados R$ 3,15 bilhões para o programa ABC.
O Plano Agrícola e Pecuário 2011/12 foi lançado pela presidente Dilma Rousseff em junho passado e disponibilizará R$ 107,2 bilhões para financiar agricultores e pecuaristas. O valor supera em 7,2% o do biênio anterior. "Os bons resultados da safra e do financiamento dão um bom ponto de largada para o ano que vem. Tenho plena convicção de que poderemos ultrapassar a taxa de 94% de aplicação e bater novamente o recorde", disse Vaz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Governo quer dobrar número de produtores orgânicos


Entre as medidas para aumentar a produção natural dos alimentos, o Ministério prevê até isenção fiscal para brasileiros que atuam no segmento - São Paulo

O volume de produtores orgânicos certificados no Brasil deve dobrar até 2015 e atingir 28 mil agricultores, estimou ontem o Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento (Mapa). Para isso, o órgão do governo pretende criar novas políticas públicas de incentivo para que esses trabalhadores tenham acesso à instrução, a novas tecnologias, apoio técnico, e até mesmo isenção fiscal e tributária. 

O Brasil possui hoje, conforme dados do Mapa, aproximadamente 13 mil produtores orgânicos certificados, e até o final deste ano a perspectiva é atingir a marca de 15 mil. Segundo Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do Mapa, o crescimento do setor não é apenas uma estratégia mercadológica, mas também uma prática sustentável. "Entendemos que o crescimento da agricultura orgânica visa principalmente o desenvolvimento sustentável da agricultura. 

Temos que encontrar alternativas de insumos, manejo e novas tecnologias para antecipar alguns problemas que a humanidade terá no futuro, como a escassez dos alimentos da agricultura atual". A primeira medida tomada pelo ministério é a criação de comissões estaduais para fiscalização e coleta de informação sobre orgânicos. 

Entretanto, Dias afirmou que o maior gargalo que o setor enfrenta para a difusão de suas práticas é a falta de assistência aos produtores. Além da falta de técnicos, existe também a carência de professores, pois a agricultura orgânica não está na grade de nenhuma instituição superior ou técnica de estudos. "No ano passado, lançamos o primeiro edital para criar núcleos de agroecologia para educação, pesquisa e extensão em 30 institutos federais de educação. Esses grupos terão que realizar trabalhos na região em que estão inseridos", contou o executivo com exclusividade ao DCI

Segundo ele, a meta é chegar a 2015 com 90 instituições, localizadas inicialmente nas regiões com maior índice de falta de alimentos, que se alinha diretamente ao plano de combate à fome lançado pela presidente da República, Dilma Roussef. Junto a isso o ministério pretende embutir o uso de produtos orgânicos na merenda escolar, aumentando o incentivo regional ao produto e ampliando a quantidade de interessados nessa prática. "Já existe uma lei que exige que 30% da alimentação escolar seja feita com itens da agricultura familiar. Agora queremos transformar isso em produtos orgânicos. Com isso, além dos produtores investirem em suas produções, a região também terá maior acesso a esses produtos. E assim novos produtores irão surgir", garantiu Dias.



Além dessa medida, o ministério também pretende criar um grupo de pesquisa e estudo para criar "fichas agroecológicas", a partir de teses de mestrado e doutorado à respeito de práticas na lavoura, insumos e clima específicos para a produção orgânica. "Vamos pegar as teorias que estão em mestrado e doutorado, trabalho de entidades técnicas, e trans formem isso para a linguagem do agricultor. Para que eles tenham acesso a novas tecnologias aplicáveis à sua região e cultura".



Dias afirmou, que a meta do governo federal é reduzir o número de produtores orgânicos não certificados para garantir um controle de qualidade maior. "Queremos garantir que o nome orgânico traga ao consumidor uma qualidade diferenciada. Já estamos pensando inclusive em um selo de qualidade para esse produtos", disse. A falta de certificação de alguns produtores, fez o Pão de Açúcar reduzir sua expectativa de crescimento para a venda de produtos orgânicos neste ano. A rede de supermercados esperava, inicialmente, expandir em 40% a venda de alimentos sem agrotóxicos - sobre um faturamento de R$ 75 milhões, em 2010 -, mas diminuiu a projeção para 15%. "Por causa da lei, não vamos conseguir", afirmou a gerente do ramo, Sandra Sabóia.

Por outro lado, Sandra garantiu que, até o fim do ano, três produtos do tipo serão comercializados por preços menores, contrariando a tendência de valorização das mercadorias "verdes"."O brócolis e a couve-flor orgânicos serão mais baratos que os convencionais, a partir de agosto. O tomate ficará 30% mais barato, aproximando-se do preço do tradicional", disse. Para fomentar a produção sem agrotóxicos e comercializá-la cada vez mais, o Pão de Açúcar oferece suporte técnico gratuito e garantia de venda a cerca de 180 produtores. A iniciativa favorece o barateamento dos alimentos orgânicos. "Com as políticas públicas que vamos criar queremos inclusive reduzir os custos de produção, para que todas as classes tenham acesso aos produtos orgânicos", frisou o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura.

Crédito rural atingiu a marca de R$ 94 bilhões na safra 2010/2011



A aplicação do crédito rural na agricultura empresarial, na safra de 2010/2011, foi de R$ 94,2 bilhões do total de R$ 100 bilhões disponíveis. Se comparada com a safra passada, quando foram liberados R$ 86,7 bilhões, houve crescimento de 8,6% nas aplicações de custeio, comercialização e investimento. 

O programa de financiamento para a classe média rural teve o melhor desempenho na safra. Dos R$ 5,65 bilhões previstos pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), R$ 5,035 bilhões (89% do total), foram liberados. O valor representa um acréscimo de 54% do montante utilizado na safra passada.

O Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-agro) também teve um resultado positivo, liberando, inclusive, recursos além do previsto. Foram desembolsados R$ 2,5 bilhões, o que equivale a 125% do total programado. O valor é ainda 258% superior ao contratado no mesmo período da safra anterior.

Na avaliação do Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, os fatores que levaram ao resultado positivo estão ligados ao aumento da demanda por commodities no mercado externo, especialmente em países asiáticos como a China e a Índia. Houve também redução do custo de produção e aumento da área de plantio. Segundo Vaz, "a economia está aquecida, os preços dos alimentos estão acima da média e o agronegócio vem em ritmo crescente".



Plano Agrícola

O Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, lançado pela presidente Dilma Rousseff em junho passado, vai disponibilizar R$ 107,2 bilhões para financiar agricultores e pecuaristas. O valor é 7,2% superior aos R$ 100 bilhões direcionados ao ciclo agrícola de 2010/2011.

O governo também vai destinar mais recursos para financiar o médio produtor rural. Na temporada 2011/2012, serão 48,2% a mais para a classe média, o que equivale a R$ 8,3 bilhões. Outra novidade é a mudança do limite de renda bruta anual, de R$ 500 para R$ 700 mil, para enquadramento no programa

Já o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) incentiva processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases estufa no campo, a serem adotados pelos agricultores nos próximos anos. O ABC reflete o esforço para atender aos compromissos voluntários assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), de redução significativa das emissões de gases de efeito estufa gerados pela agropecuária.

Na safra de 2010/2011 foram feitas 30 operações de liberação, 16 delas em junho deste ano. O Secretário José Carlos Vaz acredita que esse número tende a crescer na safra atual.
 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Preço da carne suína em MT reage



Preço da carne suína começa a recuperar e o valor pago aos produtores já supera os custos. Nesta semana, o quilo atingiu R$ 2,35, acréscimo de 25 centavos sobre o valor desembolsado pelos criadores. Na última semana, média praticada em Mato Grosso estava em R$ 2,10 e no pico da crise, em maio deste ano, o quilo da carne chegou a R$ 1,71.
Fôlego dos produtores coincide com a redução no preço da saca de milho, principal ingrediente da ração dos animais, que nesta semana alcançou preço médio de R$ 17, cerca de 10% mais barato do que vinha sendo praticado. No Estado, o consumo do cereal pela cadeia da suinocultura está estimado em 600 mil toneladas/ano, segundo dados da Associação de Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), que considera um plantel de 120 mil matrizes.
De acordo com o diretor da associação, Custódio Rodrigues, esta alta ainda é tímida se considerar os 10 meses de crise que os produtores passaram. "Este valor é menor do que é necessário para remunerar bem o produtor, sobretudo depois de tanto tempo de prejuízo".
Valorização é consequência de um conjunto de fatores que ajustaram o mercado. Segundo Rodrigues, devido à situação, muitos produtores deixaram a atividade, outros abateram matrizes para reduzir os custos e a indústria aproveitou para fazer estoque. Assim, a oferta diminuiu e os preços subiram.
Tendência no momento é que a carne continue em alta, pelo menos até outubro, e a previsão é de que atinja R$ 2,80, valor considerado mínimo para uma boa renda ao criador. Entre as demandas do setor estão questões relacionadas ao milho, como falta de produto e preço alto. Gerente de operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Mato Grosso, Charles Córdova Nicolau, explica que o governo recebeu reclamações do setor produtivo e para sanar a suposta falta de milho realizou nesta quinta-feira (21) o leilão de 46 mil toneladas, porém nada foi comercializado.
Segundo Nicolau, isso demonstra que o problema não está na falta de produto, mas nos preços praticados no mercado, mas que o governo não pode intervir e pressionar o valor e prejudicar o produtor do grão. Custódio Rodrigues, da Acrismat, contrapõe o gerente da Conab ao afirmar que não falta milho agora, mas que a commodity vai ficar escassa depois do fim da colheita e que aí sim os preços ficarão ainda mais altos e este é o temor do segmento.